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Emprego aproxima Brasil dos EUA
de admin | Domingo, 25 de Outubro de 2009
São Paulo, 16 de janeiro de 2009 - 22h37min
Viviane Monteiro , Jornal do Brasil
BRASÍLIA - A turbulência observada no mercado de trabalho nacional já é idêntica a dos Estados Unidos. O que muda é a intensidade das demissões que ocorrem nos dois países. A avaliação é do Técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Gonzalez, ao lembrar que, nos EUA, entre novembro e dezembro, as demissões comprometeram o emprego de 1,108 milhão de trabalhadores. No Brasil, comparou, esse número pode chegar a mais da metade – ao redor de 650 mil em igual período, caso o Ministério do Emprego e Trabalho confirme na segunda-feira as 600 mil demissões de dezembro, antecipadas na última quinta-feira pelo presidente Lula.
O especialista do Ipea prevê resultado negativo do emprego em janeiro e já vê uma reversão na tendência de queda da taxa de desemprego em 2009. A curva de desemprego no Brasil começou a declinar a partir de 2005.
– Há uma tendência de aumento do desemprego no país, mas não temos idéia de quão forte será esse aumento.
De acordo com o especialista, diante da turbulência, muitos contratos temporários de fim de ano não devem ser efetivados neste inicio de ano, o que deve gerar saldo de emprego negativo.
Caso se confirme a projeção do especialista do órgão vinculado ao Ministério do Planejamento, esse seria o primeiro mês do ano negativo desde janeiro de 1999. Professor da Universidade de Brasília (UNB), Jorge Pinho confirma que a tendência é de alta da taxa de desemprego no Brasil este ano. O professor prevê que a taxa voltará aos patamares de 2002, e atingirá 10% – o que pode representar algo em torno de 2,3 milhões pessoas desempregadas nas regiões metropolitanas pesquisadas em 2009. A taxa hoje está em 7,6%, segundo o último dado da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, de novembro. Economistas acreditam que a taxa poderá atingir até 13% – até então o pico observado em abril de 2004.
Segundo Gonzalez, que demonstrou cautela nas análises, o mercado de trabalho brasileiro está interrompendo uma tendência de queda na taxa de desemprego.
– E essa interrupção de queda da taxa de desemprego é algo preocupante – avaliou, ainda que não arrisque em dizer que a crise chegou de vez ao Brasil.
O cenário é preocupante, segundo Gonzalez, porque a expectativa é de que a produção industrial “não cresça”, diante da redução do índice de confiança do consumidor na economia e redução do consumo. Dessa forma, as empresas começam a demitir e isso pode agravar ainda mais o efeito da crise no Brasil. Ainda assim, diz que só será possível saber o verdadeiro impacto da crise com o passar do tempo, quando novos dados forem revelados.
Os dirigentes do IPEA apresentarão nesta terça-feira o estudo Crise econômica internacional e possíveis repercussões: primeiras análises. Segundo o IPEA, serão analisadas “as manifestações e as reações governamentais à crise econômica internacional, bem como as possíveis repercussões no Brasil”.
A crise financeira mundial freou o mercado de trabalho no Brasil a partir de outubro de 2008, quando a criação de empregos desacelerou de 205,2 mil vagas em setembro para 61,4 mil em outubro. O cenário se agravou e, em novembro, as demissões superaram em 40,8 mil as contratações, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). As demissões sazonais de fim de ano em 2008 foram agravadas pelo impacto da crise. Em dezembro, a previsão é de que as demissões dobrem a média mensal histórica de 300 mil e chegue ao redor de 600 mil.
Governo vai precisar agir com mais rapidez
Para tentar reverter a tendência de forte queda do emprego este ano, o professor da UNB diz que o governo deverá tomar as medidas necessárias. Ou seja, o governo deve adotar o que classificou de “políticas formiguinhas”, ao investir pesado em setores geradores de emprego, como infra-estrutura e construção civil. A expectativa é que o presidente Lula anuncie novas medidas de socorro à economia brasileira esta semana.
Sem querer fazer estimativas sobre a evolução da taxa de desemprego este ano, Gonzales, do Ipea, disse que as demissões estão mais avançadas nos Estados Unidos, em relação ao Brasil, porque “lá a crise bateu primeiro”.
Impactos
Dessa forma, a turbulência impactou mais cedo o consumo e o mercado de trabalho americano. Já no Brasil, comparou Gonzalez, o efeito da crise não só foi sentido depois, como também entrou “por outros canais”: falta de crédito e baixa liquidez do sistema financeiro mundial. Até outubro de 2008, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, mantinha a previsão de fechar o ano passado com mais de 2 milhões de novas vagas formais. A expectativa não se sustentou e o ministro passou a reduzir as previsões para algo acima de 1,8 milhão. Para 2009, o ministro do Trabalho prevê 1,5 milhão de novas vagas no mercado de trabalho.
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